Presente, passado e futuro em chamas com o Museu Nacional

Presente, passado e futuro em chamas com o Museu Nacional

Imagem: Ricardo Welbert – http://ricardowelbert.blogspot.com/

“Aqueles que não podem lembrar o passado estão condenados a repeti-lo”

Esta frase foi escrita à primeira vez por George Santayana, pseudônimo de Jorge Agustín Nicolás Ruiz de Santayana y Borrás, no primeiro volume de sua obra “A Vida da Razão”, de 1905. Passaram-se 113 anos desde a publicação da obra até hoje, contudo, infelizmente, a célebre frase nunca esteve tão atual no Brasil e no mundo.

No mundo, vemos notícias acerca de grupos nazistas retornando ao cenário mundial, à revelia de esforços governamentais para suprimir as ações de ditos grupos; segregação racial, após tantos anos de escravidão e apartheid; minimização de políticas contra os direitos das mulheres e tantas outras coisas. E os problemas mundiais não estão longe da realidade brasileira, mas por que essas ideias ganham força ainda hoje, após a humanidade ter vivenciado todos esses traumas?

As pessoas não estão dando a devida atenção e importância para seus arquivos históricos, e isso é claramente visível no trágico incêndio que ocorreu neste domingo, 02, no Museu Nacional da Quinta da Boa Vista. O equipamento sofria com a falta de repasses do governo para sua manutenção e acabou destruído por conta de um incêndio que, segundo o próprio corpo de bombeiros, poderia ter sido evitado se houvesse reformas em áreas estruturais como as fiações elétricas e manutenção dos Sprinklers. A falta de investimento nos museus e acervos culturais e históricos é preocupante, além do Museu Nacional, outros espalhados pelo país também estão pedindo socorro e correm o risco de ter um destino trágico como o que ocorreu neste domingo.

O Museu completou neste ano de 2018, 200 anos de idade e possuía em seu acervo, mais de 20 milhões de itens, entre os quais haviam a maior coleção egípcia da América Latina; uma sala preservada com os móveis originais de Dom João VI; o pátio onde foi assinada a primeira constituição brasileira, em 1824; coleções de paleontologia, mineralogia e botânica; o fóssil de Luzia, o mais antigo ser humano encontrado nas Américas, com 12 mil anos e várias outras relíquias. 90% de todo este material foi transmutou-se em cinzas.

A Faculdade Ateneu, através da diretoria, corpo docente e todos os seus funcionários vêm expressar o seu mais profundo pesar pelo ocorrido. A perda de patrimônio não apenas brasileiro, mas de toda a humanidade, será sentida por gerações. Damos especial homenagem a todos os pesquisadores e técnicos que, desde 1818, se dedicaram à formação, preservação e estudo do acervo perdido. A Ateneu sente esse golpe sofrido na história e ciência mundial, além de se solidarizar com todos os pesquisadores, técnicos e funcionários do Museu Nacional, que acabam de ter suas vidas profissionais em grande parte prejudicadas ou mesmo destruídas.

Não poderíamos, também, deixar de homenagear o corpo de bombeiros, que fizeram de tudo para salvar o pouco que pode ser retirado do prédio em chamas.

Por fim, a Ateneu espera que a política de manutenção e preservação dos museus, prédios históricos, acervos culturais e tudo que, um dia, nos lembre quem fomos e quem somos, não seja mais negligenciada e deixada de lado pelo poder público, sob o risco de continuarmos a ver grande parte da história humana ser brutalmente destruída. Em tempo, cobramos dos novos governantes, que serão escolhidos ainda este ano, comprometimento com a história e ciência do país.